Eu só quero ser dona de casa. Só isso.
Quero sim, administrar os meus bens e do meu marido.
Você me diz que sou uma dona de casa-poeta
E não uma poeta-dona de casa.
Não. Não importa. Essa foi a minha escolha.
Você pode ser meu anjo, meu homem, meu amante; porém,
eu não vou deixar minha vida já feita, perfeita,
por causa de ninguém. Não vou.
Com meu companheiro tenho tudo que necessito:
Ele paga minha faculdade. Ele paga minha ginástica. Ele compra
as roupas que quero. Os livros que desejo. E aqueles CDs que tanto amo.
E eu. Eu não vou deixar isso tudo por você.
Não. Não vou.
É certo que quando brigamos, ele joga tudo isso na minha cara.
Me humilha e me diminui como mulher, como ser humano.
Mas eu não me importo.
Não. Eu não me importo.
Ele também não me ama como você me ama.
Não me abraça como você me abraça.
Não lembra das datas importantes para nós, como você lembra e
tampouco presta atenção em mim, como você.
Mas eu, eu não me importo.
Não. Eu não me importo.
Ele não anseia por mim, nem me deseja mais, não me faz Deusa
Como você me faz.
Não me acha sensual ou especial, como você me acha.
Ele nunca me mandou flores, a não ser como pedido de desculpa,
quando brigamos.
Mas eu não me importo.
Juro que não me importo.
Tampouco vou largá-lo pra ficar com você.
Não. Não vou.
Helena Prado